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Conversas que curam

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Depois de tanto tempo distante daqui, por isso considero esse um post de recomeço, de retorno.

Como todo mortal que se preze, passei por um período difícil, muito difícil. Por isso o meu sumiço… Mas, como escrito na Bíblia “O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã.” (Salmos 30:5). E graças a Deus pela oportunidade de recomeçar!

Após a chuvarada toda, com direito a muitos raios e trovões, pude contar com o apoio, os ouvidos, os conselhos, as orações, o colo, a presença e tudo o mais dos amigos e familiares. Agora, depois de recomposta, pude apreciar o sol nascer mais bonito e desde então estou com um coração muito mais feliz e tranquilo.

Bom, esse período difícil pelo qual passei refere-se ao meu divórcio. Não pretendo citar aqui os motivos que me fizeram tomar essa decisão, especialmente para proteger a minha privacidade, a do meu ex-marido e de nossas famílias. Fomos casados por quase 11 anos e, por inúmeros fatores, não foi fácil tomar essa decisão.

Tive que enfrentar meus maiores medos, me reencontrar, reorganizar minha cabeça e as coisas práticas da vida, aquelas que não esperam a gente ficar bem para serem resolvidas. Isso tudo foi muito estressante e tirou a minha paz por um período. A vida real não é ficção, não existem personagens…

Tudo o que eu desejava naquele momento era ter uma bola de cristal que me ajudasse a tomar uma decisão, garantindo que eu seria mais feliz. Ou que alguém pudesse me dar essa resposta. Mas infelizmente essa decisão só pode ser tomada pelos envolvidos, que conhecem bem a realidade em que estão envolvidos, as causas e as consequências dessa importante decisão. E graças a Deus não tivemos filhos, porque senão essa decisão teria sido infinitamente mais complicada…

Dialogando com pessoas que já haviam vivenciado o fim de um casamento e por isso compreendiam a minha dor, pude dividir o meu fardo. É bom registrar que elas não me incentivaram a decidir pelo divórcio, mas me ouviram atentamente e, por vezes, choraram comigo. Às vezes só precisamos desabafar, sermos ouvidos e abrir o coração sem medo de sermos julgados. E esse é o grande poder das conversas curativas!

Há muitos anos ouvi de um colega de trabalho que percebia a distância que eu mantinha da minha família cosanguínea e a grande proximidade que mantinha da família do meu marido à época (agora ex-marido) que não existia ex-pai, ex-mãe, ex-filho… Mas que ex-marido e ex-mulher poderiam existir conforme as circunstâncias que a vida apresentasse. Confesso que aquilo me impactou muito, já que, por mais problemas que eu pudesse vivenciar em meu casamento, jamais aceitaria a possibilidade de um divórcio.

Entretanto essa frase ecoou por dias na minha cabeça, me fazendo refletir e acreditar na importância de sermos pessoas melhor resolvidas, nos amando mais e compreendendo nossos próprios caminhos e escolhas, saboreando de nossa própria companhia e, principalmente, me ensinou a importância de valorizar a oração, meus familiares e amigos.  Eles foram fundamentais para que eu pudesse me recuperar e seguir em frente. Deus teve misericórdia de mim, me alegrando com um recomeço de vida!

Para auxiliar minha decisão sobre a minha separação, optei por preencher uma lista simples, dividida em pós e contras de manter aquele casamento. E o que já era esperado aconteceu: a lista de contras ficou muito maior…

Desde então, sempre que tenho dúvidas a respeito de que decisão tomar em situações complexas, decido pela ajuda da lista de pós e contras. Vi o quanto esse recurso simples me ajudou a refletir e listar questões que muitas vezes passavam desapercebidas, facilitando a organização de idéias para minha reflexão e decisão.

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Só que já viveu uma dor como essa entende do que estou falando… Essa dor pode, inclusive, ser física! Emagreci muito, não conseguia comer nem dormir, meu sistema imunológico ficou fragilizado. Com ajuda de amigas pude compreender que necessitava de ajuda médica e psicológica. Contei com inúmeras intercessões em orações. Isso tudo me fortaleceu e me permitiu seguir em frente.

Durante esse período de divórcio tive que lidar com muitas coisas novas (medo da solidão, morar sozinha, novos hábitos e costumes, novos amigos, novos pontos de vistas) que futuramente vou compartilhar com vocês num novo post. Mas gostaria de dizer que segui em frente, reconstruí minha vida e aprendi a gostar da minha própria companhia. Assim, a solidão deixou de me assustar… Após vivenciar tantas experiências novas, redescobri minha identidade e me casei novamente…

Não foi fácil decidir deixar tudo para trás e seguir… Eu me senti fracassando no meu maior projeto de vida, mas aos poucos senti alívio e acho que fui feliz como nunca havia sido, descobrindo em mim uma mulher que até então desconhecia.

Gostaria de registrar que neste artigo não defendo o divórcio, mas o compreendo como um caminho possível, após várias tentativas frustradas de reconciliação de um casal. Acredito que ninguém merece viver infeliz, torturando-se diante de uma convivência que traz amargura e tristeza. Decidi pelo divórcio tendo a certeza que meu ex-marido e eu merecíamos ser felizes, e que isso não seria possível se estivéssemos juntos, mas somente trilhando caminhos distintos (e em separado) a partir de então.

Com esse artigo desejo apenas fazer as pessoas refletirem sobre a importância de abrirem o coração em conversas que curam a alma e o corpo! Todos, independentemente da situação em que se encontram, favorável ou não, deveriam fazer do diálogo e da oração um hábito curador.

Em tempos de “diálogos” via whatsapp, skipe, facebook e outros meios digitais, nada se compara a uma conversa transbordante, olho no olho, em que podemos abrir o coração e deixar extravasar toda emoção!

Que tal marcar sua próxima conversa curativa, de preferência olho no olho? Que seja para desabafar, abrindo o seu coração ou mesmo ouvindo um familiar ou amigo que esteja angustiado precisando conversar?

Dica: um cafezinho ou chá quente ajuda a aquecer também o coração e vai muito bem com um bom dedo de prosa!

Quero conhecer a sua história! Compartilhe-a comigo em sabedorianolar@gmail.com.

Abraços,

Juliana Prado

sabedorianolar@gmail.com

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